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Não sei como e quando fui fabricada, nem tão pouco me lembro de como nasci. Não sei que roupas vestia, nem o primeiro brinquedo que tive. Se hoje tenho, na minha cabeça, uma primeira recordação da minha infância, é porque a idade e a capacidade de guardar memórias ( para um sempre indeerminado ) foi aumentando. O que fui até esse dia, não sei. Sei o que me contam, o que me mostram pelas fotografias que, depois de tiradas, foram religiosamente guardadas nas gavetas que já nenhum de nós abre. Não conheci o meu avô materno, acho que morreu demasiado novo. Entretanto, cresci junto dos meus avós paternos e, principalmente, ao lado da minha avó materna. Fiz bastantes amigos e tive um namorado durante toda a escola primária. Um namorado chamado Edgar. No fim da escola ia brincar com Ele(s) e, quando tinha de voltar para casa, nunca o fazia de uma forma triste. Saltava e corria como se o Mundo fosse aquele momento. Não gostava das brincadiras das meninas, então optava sempre por brincar com os rapazes. Eles gostavam de mim, e eu também. Nunca gostei que gozassem comigo, por isso, um dia, bati num menino lá da escola e ele foi para o hospital, de cabeça partida. Pedi desculpa e fui embora. Isto porque pisei um novo degrau da minha vida. Mudei de escola e, logo no primeiro dia, angariei uma nova amiguinha chamada Rita. Aprendi muita coisa com Ela. E gostei dela como só agora gosto de alguém. Mas Ela 'abandonou-me', tal como o meu namoradinho Edgar. É a vida. Cresci mais um bocadinho e, adivinhem, pelo caminho juntei á minha colecção de amiguinhos, uma menina chamada Ana, outra chamada Rafaela ( que mais tarde desapareceu ). No secundário tive a minha primeira Melhor Amiga: a Tânia. Dela nunca me hei-de esquecer. Durante três anos aconteceram muitas coisas na minha vida. Comecei a explorar este mundo que é a Internet. Conheci uma Pequena chamada Patricia. Hoje, a minha Melhor Amiga, aquela que partilha comigo da coisa mais bonita e expressiva da minha vida. Mora muito longe, mas durante quinze meses, temos alimentado isto como se a nossa amizade viesse desde os tempos da primária. É o meu orgulho e o meu Tudo. E eu ? Eu chamo-me Ana e já tenho dezoito anos. Já não fico a brincar com os meus amiguinhos depois das aulas e, por isso, já não há regresso feliz. Estou na Universidade de Aveiro a lutar para ser alguém. Um alguém que não bate em meninos e lhes parte a cabeça. Um alguém que, entretanto, perdeu a avó materna, a Rita e o Edgar, mas que nem por isso se esquece deles. Um alguém melhor. Um alguém Maior.
Foi um ( verdadeiro ) prazer. :)
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'Coisa mais Bonita e Expressiva' [ .. ]
'É o meu orgulho e o meu tudo.'